A deficiência de vitamina D significa que os estoques de vitamina D do corpo — o nutriente parecido com um hormônio, produzido na pele exposta ao sol e absorvido de alguns poucos alimentos — caíram baixo demais para manter o cálcio e o metabolismo ósseo funcionando normalmente. É uma das deficiências mais comuns do mundo, afetando até um bilhão de pessoas, e é mais frequente no inverno, em latitudes mais altas e em pessoas com pele mais escura ou pouca exposição ao sol. É confirmada por um único exame de sangue, o exame de 25-hidroxivitamina D, lido junto com alguns marcadores de apoio quando a deficiência parece significativa. A vitamina D age menos como uma vitamina e mais como um hormônio, comandando quanto cálcio o intestino absorve e como o osso é reconstruído — por isso a falta aparece primeiro no esqueleto e em sintomas vagos, do corpo todo.
Quem tem risco
A luz do sol na pele produz a maior parte da nossa vitamina D, então tudo o que a limita aumenta o risco: morar longe do equador, passar a maior parte do dia em ambientes fechados, cobrir a pele, usar protetor solar de forma constante e a idade mais avançada, quando a pele produz vitamina D de maneira menos eficiente. A pele mais escura precisa de mais tempo de sol para produzir a mesma quantidade. Outros grupos de risco incluem pessoas com obesidade, em quem a vitamina D fica retida no tecido adiposo; quem tem má absorção, como na doença celíaca, na doença de Crohn ou após cirurgia bariátrica; pessoas com doença renal ou hepática crônica, que prejudica a ativação da vitamina D; bebês alimentados exclusivamente com leite materno; e quem usa medicamentos que aceleram a degradação da vitamina D, como alguns anticonvulsivantes e glicocorticoides. A alimentação tem um papel menor, já que poucos alimentos — peixes gordurosos, gema de ovo, leite fortificado — trazem quantidades significativas. Os níveis costumam cair no fim do inverno e no início da primavera, depois de meses de sol fraco e de ângulo baixo que esgotam os estoques, e se recuperam ao longo do verão — por isso a estação do ano em que você faz o exame influencia o resultado.
Sintomas
A deficiência leve muitas vezes não dá sintomas e só é descoberta em um exame de sangue. À medida que os níveis caem mais, as queixas clássicas são dores nos ossos e nos músculos, fraqueza muscular — principalmente dificuldade para levantar de uma cadeira ou subir escadas — e cãibras. Muitas pessoas relatam cansaço persistente e falta de energia, humor baixo que piora no inverno, resfriados e infecções mais frequentes, e algumas percebem afinamento do cabelo. As cãibras noturnas podem refletir o cálcio e o magnésio baixos que acompanham a deficiência grave; nosso guia sobre os exames por trás das cãibras noturnas nas pernas trata dessa sobreposição. Como o cansaço é tão inespecífico, a vitamina D é um dos sete exames por trás do cansaço constante. Na deficiência grave e prolongada, o amolecimento dos ossos — osteomalácia em adultos, raquitismo em crianças — causa dor óssea, sensibilidade e, nas crianças, pernas arqueadas. Como cada uma dessas queixas é leve e fácil de atribuir a uma rotina corrida, a deficiência passa despercebida por meses e muitas vezes só é descoberta quando o médico a investiga ao apurar cansaço, humor baixo ou dores. O portal de sintomas relaciona outras queixas aos exames que as explicam.
Quais exames confirmam
O diagnóstico se apoia em um exame, com outros três usados para avaliar o quanto a deficiência importa. O exame não exige jejum e pode ser colhido em qualquer horário do dia, porque mede uma forma de reserva estável por semanas, e não uma que oscila com uma refeição recente ou um dia de sol.
- Vitamina D (25-OH) — o exame definitivo, que mede a 25-hidroxivitamina D, a forma de reserva que reflete a vitamina D de origem solar e alimentar das últimas semanas. O achado é um valor baixo. Os laboratórios costumam sinalizar deficiência abaixo de 20 ng/mL (50 nmol/L) e deficiência grave abaixo de 12 ng/mL (30 nmol/L), com 20–29 ng/mL classificado como insuficiência e 30 ng/mL (75 nmol/L) ou mais como suficiente. Como os laudos usam ng/mL nos EUA e nmol/L em outros países, um conversor de unidades ajuda você a alinhar o seu; observe que a diretriz de 2024 da Endocrine Society se afastou dos pontos de corte rígidos.
- Paratormônio (PTH) — sobe conforme a vitamina D cai, porque o corpo o eleva para defender o cálcio do sangue. Um PTH alto com uma 25(OH)D baixa confirma que a deficiência é funcionalmente significativa, e não apenas um número.
- Magnésio — um cofator de que o corpo precisa para ativar a vitamina D e liberar o PTH. Um magnésio baixo pode manter a vitamina D teimosamente baixa apesar dos suplementos, e vale a pena verificar quando o nível não sobe.
- Fosfatase alcalina (FA) — a enzima da renovação óssea, que sobe quando a deficiência prolongada amolece o osso. Uma FA alta aponta para osteomalácia ou raquitismo, e não para uma queda leve.
Os médicos costumam acrescentar cálcio e fosfato, que ficam baixos na deficiência avançada, para completar o quadro da química óssea.
Como ler os resultados em conjunto
O nível isolado de 25(OH)D mostra a reserva; os exames que o acompanham mostram a consequência.
- Uma deficiência significativa e ativa: uma 25(OH)D baixa mais um PTH alto mais uma FA alta, muitas vezes com cálcio no limite baixo da normalidade e fosfato baixo, é a assinatura bioquímica da osteomalácia — os ossos estão sendo afetados e a correção é mais urgente.
- Uma queda mais leve e isolada: uma 25(OH)D baixa com PTH normal e cálcio normal costuma indicar insuficiência sem grande impacto na química óssea — muitas vezes corrigida com sol, alimentação e um suplemento modesto.
- A queda sazonal: uma 25(OH)D um pouco baixa colhida no fim do inverno, com PTH, cálcio e FA normais, é comum e muitas vezes se corrige sozinha com a volta da luz do dia — aqui o momento do exame importa tanto quanto o número.
- A deficiência que não cede: uma 25(OH)D que continua baixa apesar dos suplementos deve levar a checar o magnésio, já que sem magnésio o corpo não consegue ativar a vitamina D de forma eficiente.
O que acontece depois
A maior parte das deficiências é corrigida com a reposição de vitamina D — a dose e a forma exatas são definidas pelo seu médico, que as ajusta ao quanto o nível está baixo e a qualquer problema de absorção — junto com exposição solar sensata e fontes alimentares como peixes gordurosos e alimentos fortificados. Exposição solar sensata significa períodos curtos e regulares ao ar livre sem se queimar, e corrigir primeiro um magnésio baixo pode ser o passo que permite, enfim, que o nível suba. A 25(OH)D costuma ser refeita após cerca de 8–12 semanas para confirmar que a reserva foi reposta, e depois com menos frequência, para manutenção. Quando a deficiência causou sintomas ósseos, a ingestão de cálcio é revista ao mesmo tempo, e casos rebeldes ou graves podem ser encaminhados para acompanhamento com especialista. Quando se encontra uma causa de fundo, como má absorção ou doença renal, tratá-la faz parte do plano. Não comece a tomar vitamina D em dose alta por conta própria: em excesso, ela pode elevar o cálcio a níveis perigosos.
Quando procurar um médico
Marque uma consulta de rotina em caso de cansaço persistente, dores nos ossos ou músculos ou infecções frequentes, para que a vitamina D seja avaliada junto com as outras causas comuns, em vez de ser presumida. Procure um médico mais cedo se você tiver dor óssea com sensibilidade, fraqueza muscular que dificulte subir escadas ou ficar de pé, ou uma fratura após uma pancada leve, o que pode sinalizar amolecimento dos ossos. Sintomas de cálcio alto por excesso de suplementação — náusea, sede excessiva, urinar com frequência, confusão — precisam de avaliação médica rápida.


