Referência de exames laboratoriais

Perfil lipídico: entenda seus números de colesterol

O perfil lipídico mede colesterol total, LDL, HDL, triglicerídeos e ApoB para avaliar o risco cardiovascular. Quando é pedido, como se preparar e ler.

O perfil lipídico é um único exame de sangue que mede as gorduras que circulam no seu sangue — o colesterol total, o colesterol LDL e HDL e os triglicerídeos — para estimar o seu risco de infarto e AVC. Os perfis ampliados acrescentam a apolipoproteína B, a apolipoproteína A1 e a lipoproteína(a), que contam as próprias partículas que transportam esse colesterol. Em conjunto, os números descrevem quanto colesterol que entope as artérias está em circulação e com que eficiência o seu corpo o elimina.

O que o perfil lipídico mede

O colesterol não se dissolve no sangue, por isso viaja empacotado dentro de partículas chamadas lipoproteínas. O perfil lê essas partículas de dois ângulos: o colesterol que elas transportam (total, LDL e HDL) e, nos perfis ampliados, as próprias partículas (ApoB e ApoA1). O LDL leva o colesterol aos tecidos e, em excesso, à parede das artérias; o HDL o transporta de volta ao fígado. Os triglicerídeos são uma gordura à parte, que acompanha a alimentação, o álcool e a saúde metabólica. Ler tudo isso em conjunto — em vez de se fixar em um único número — é o que transforma um perfil lipídico em uma estimativa do risco cardiovascular, e o MedlinePlus apresenta o exame como uma medida de rotina do risco de doença cardíaca. A maioria dos laboratórios também informa o colesterol não HDL — o colesterol total menos o HDL — como um único número que reúne de uma vez todas as partículas aterogênicas, uma leitura confiável mesmo em amostra sem jejum.

Quais exames estão incluídos

Os valores são informados em mg/dL nos Estados Unidos e em mmol/L na maior parte do mundo; o conversor de unidades converte de um para o outro.

Quando os médicos pedem o exame

O motivo mais comum é o rastreamento cardiovascular de rotina — a maioria das diretrizes começa no início da vida adulta e o repete ao longo da meia-idade. O perfil também é pedido quando você tem fatores de risco como pressão alta, diabetes, obesidade, tabagismo ou história familiar de doença cardíaca precoce; para investigar sinais físicos como depósitos de gordura na pele (xantomas); e para iniciar ou acompanhar um tratamento para baixar o colesterol, como as estatinas. Um resultado de triglicerídeos muito alto é sinalizado à parte, porque níveis muito elevados trazem seu próprio risco de pancreatite e exigem uma ação mais rápida.

Como se preparar

Para um perfil padrão, você não precisa mais estar em jejum — as diretrizes atuais da AHA/ACC e as europeias aceitam amostras sem jejum no rastreamento de rotina. O jejum de 9 a 12 horas ainda é pedido quando os triglicerídeos estão sendo acompanhados ou já se sabe que estão altos, porque a comida os eleva de forma acentuada. Modere o álcool nos dois dias anteriores e avise o seu médico sobre os medicamentos que você usa e sobre uma eventual gravidez, pois ambos alteram os números. A lipoproteína(a) é em grande parte genética e não exige jejum.

Como ler os resultados em conjunto

O valor do perfil está nas combinações, não em um número isolado:

  • LDL alto com ApoB alta confirma uma carga pesada de partículas aterogênicas. Quando a ApoB está alta, mas o LDL parece apenas limítrofe — muitas vezes junto de triglicerídeos altos —, a ApoB revela um risco que o número de LDL subestima.
  • Triglicerídeos altos com HDL baixo formam a assinatura clássica da resistência à insulina e da síndrome metabólica e costumam elevar o colesterol não HDL mesmo quando o LDL parece controlado.
  • Uma relação colesterol total/HDL alta, ou um índice aterogênico alto, condensa em um único número o equilíbrio entre o colesterol nocivo e o protetor.
  • Uma lipoproteína(a) elevada sinaliza um risco hereditário que se soma a todo o resto e não muda com a alimentação.

Nenhum valor isolado diagnostica uma doença cardíaca; os médicos integram esses padrões em uma pontuação de risco global, junto com a sua idade, a pressão arterial e o tabagismo.

Quando repetir o exame

Com um resultado normal e risco baixo, a maioria das diretrizes sugere repetir o exame a cada 4 a 6 anos. Depois de iniciar ou trocar uma estatina, o perfil costuma ser repetido de 4 a 12 semanas depois para confirmar a resposta e, uma vez estável, a cada 3 a 12 meses. Quem tem diabetes, doença cardíaca conhecida ou forte história familiar é acompanhado mais de perto — o seu médico define o intervalo.

Perguntas frequentes

Preciso estar em jejum antes de um perfil lipídico?

Para o rastreamento de rotina do colesterol, não — as diretrizes atuais aceitam amostras sem jejum. O jejum de 9 a 12 horas ainda é pedido quando o foco são os triglicerídeos ou eles já estão altos, porque a comida os eleva de forma acentuada. O seu laboratório ou o seu médico vão dizer se desta vez é necessária uma coleta em jejum.

O que é melhor: o LDL ou a ApoB?

O colesterol LDL é o alvo de longa data, mas a ApoB conta cada partícula aterogênica e pode revelar um risco que o LDL subestima, sobretudo quando os triglicerídeos estão altos. Muitos especialistas hoje veem a ApoB como o marcador mais preciso. Os dois são úteis, e o seu médico os interpreta junto com os seus outros números.

Qual relação de colesterol é saudável?

A relação colesterol total/HDL resume em um único número o equilíbrio entre o colesterol nocivo e o protetor, e quanto mais baixa, melhor. É uma orientação rápida, não um diagnóstico. Nenhuma relação é lida isoladamente — ela alimenta uma estimativa global do risco que também leva em conta a idade, a pressão arterial e o tabagismo.

Por que dosar a lipoproteína(a)?

A lipoproteína(a), ou Lp(a), é uma partícula hereditária que aumenta o risco cardiovascular independentemente do seu outro colesterol e quase não muda com a alimentação. Por ser em grande parte genética, em geral basta medi-la uma vez na vida. Uma Lp(a) alta significa que os seus outros fatores de risco merecem um controle mais rígido.

Fontes